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Cartão pré-pago ganha destaque em viagens

O aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para as compras com cartão de crédito no exterior ampliou a procura pelos cartões de débito pré-pagos em até 40% em abril, frente a igual período do ano passado. E a expectativa das empresas emissoras e distribuidoras é que esse tipo de plástico ganhe ainda mais destaque com a proximidade das férias de julho e se consolide como uma alternativa para o viajante ao exterior.

Especialistas dizem, no entanto, que a diversificação é a melhor forma de levar dólares, euros e outras moedas ao exterior, já que cada meio de pagamento – papel-moeda, cartão de crédito, débito pré-pago e cheques de viagem – tem suas vantagens e desvantagens.

– É sempre bom o viajante diversificar e levar um pouco de cada tipo. Cada um tem seus inconvenientes e vantagens – afirma o professor de Finanças do Insper, George Ohanian.

Para frear os gastos dos consumidores, o governo aumentou a alíquota do IOF cobrado nas compras com cartão de crédito no exterior de 2,38% para 6,38%. Já a alíquota para o de débito pré-pago, para o uso da função débito no plástico múltiplo e para papel-moeda é de 0,38%.

Segurança e controle no orçamento da viagem
É preciso ficar atento, no entanto, à cotação de câmbio usada nas operações com o plástico. No cartão de crédito, geralmente é cobrada a taxa comercial – mais vantajosa para o viajante – , enquanto os débitos pré-pagos costumam usar o câmbio turismo. Visa, Mastercard e American Express já oferecem a alternativa do cartão de débito pré-pago, que pode ser carregado em dólar ou euro e até em outras moedas, como o peso argentino, dependendo da bandeira e do emissor do cartão.
– Às vezes, a diferença do imposto maior no crédito pode ser compensada pela taxa de câmbio mais vantajosa. Deve-se olhar outros aspectos além do IOF – acrescenta Ohanian.
No Banco do Brasil, um dos emissores do Visa Travel Money, o número de operações com o plástico nos primeiros 15 dias de abril foi 25% superior ao de igual período de março, enquanto o volume financeiro subiu 40%, na mesma base de comparação. Em março tinham sido fechadas 3.900 operações de câmbio, no total de R$ 14,7 milhões.
– Com o aumento do IOF para o cartão de crédito, as vendas subiram 40% em abril, frente a igual período de 2010. Esperamos um crescimento de 50% nesta temporada de inverno – diz o diretor comercial do Grupo Fitta, Luiz Ramos, que distribui os cartões Mastercard Travel Card.
Já no Banco Rendimento – responsável por cerca de 55% dos cartões Visa Travel Money emitidos – o aumento das vendas em abril foi de 30%, em comparação com abril de 2010.
– As vendas do cartão de débito pré-pago já vinham subindo desde 2003, mas com o aumento do IOF houve uma nova onda e os viajantes passaram a prestar mais atenção – aponta o diretor de Planejamento Alexandre Fialho.
A diretora do Departamento de Câmbio do Bradesco, Marlene Millan, explica que o banco lançou este ano os cartões de débito pré-pago das bandeiras Visa e Amex e tem registrado procura maior do que a estimada:
– Temos feito cerca de 60 operações por dia, muito acima do que esperávamos.
Dólar não deve subir, reduzindo riscos do crédito
Para o diretor de Produtos da Visa do Brasil, Felipe Maffei, a segurança e a praticidade são as principais vantagens do cartão de débito pré-pago:
– A pessoa não precisa carregar tanto dinheiro vivo e pode programar quanto vai gastar.
O advogado Luiz Barroso acabou de voltar de Portugal, onde evitou gastar demais no cartão de crédito. Mas como ainda não conhecia o sistema de débito pré-pago, optou por usar mais dinheiro vivo:
– Acho que esse cartão pode ser uma boa alternativa para uma próxima viagem.
Na avaliação do vice-presidente de Produtos da Mastercard, Marcelo Tangioni, não há concorrência entre o débito pré-pago e o cartão de crédito:
– O usuário do pré-pago tem uma preocupação maior com os gastos, enquanto o do cartão de crédito busca também as recompensas com programas de milhagem, por exemplo.
Tangioni lembra que a função débito dos cartões múltiplos também tem IOF de apenas 0,38%. Já o de crédito, além do IOF mais alto, tem outro fator que pode trazer mais custos: o risco cambial. O valor da cotação do câmbio cobrado pelo cartão de crédito é aquele do dia do vencimento da fatura. Depois, o cliente paga a diferença de cotação entre este dia e o do pagamento. Isso significa que o consumidor está sujeito às variações do câmbio, seja para cima ou para baixo.
– No crédito, pode haver surpresa na fatura. Mas pelo menos por enquanto não se espera alta do dólar, então o risco é menor – explica Ohanian.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/mat/2011/05/29/cartao-pre-pago-ganha-destaque-em-viagens-924558857.asp#ixzz1OGWWLNmK
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