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Como as mulheres investem

Como as mulheres investem

 

Encontrei essa matéria no site bolsademulher e achei bem interessante, espero que gostem e aproveitem a leitura.

Até Logo!

Pesquisa da Sophia Mind desvenda o perfil investidor da mulher brasileira

Foi-se o tempo em que dinheiro era assunto complicado para as mulheres. Conquistando cada vez mais espaço no mercado de trabalho e, consequentemente, independência, elas estão mais abertas a questões como investimento, poupança e reserva financeira para o futuro. Hoje, além de planejarem sozinhas o que fazer com a grana que sobra no fim do mês, elas se mostram flexíveis e prontas para adaptar os investimentos de acordo com acontecimentos em suas vidas, como o nascimento de um filho, por exemplo. É o que mostra um estudo feito em janeiro deste ano pela Sophia Mind, empresa de pesquisa do grupo Bolsa de Mulher, com 1.437 mulheres entre 25 e 50 anos, das cinco regiões brasileiras.

Como as mulheres investem

A pesquisa mostrou que 46% das brasileiras têm algum tipo de investimento financeiro. Para 33% delas, o valor poupado é de até 10% da renda anual. E o perfil das investidoras é bastante variado, mudando de acordo com a idade, a região, a escolaridade e a renda familiar. Mulheres mais velhas, especialmente as da região Sul, são as mais planejadoras e fazem depósitos regularmente. Já as nordestinas, por exemplo, poupam apenas quando conseguem uma renda extra.

Como estudam por um tempo maior – têm no mínimo 15 anos de educação – e estão alcançando melhores postos no mercado de trabalho, as mulheres estão mais bem-informadas sobre dinheiro e bastante preocupadas com a manutenção do padrão de vida no futuro. “A relação das mulheres com o dinheiro mudou muito nos últimos anos. Hoje elas querem ter o próprio dinheiro, tomar suas próprias decisões e ter uma reserva financeira para o futuro”, comenta a psicóloga paulista Valéria Meirelles, que atua em consultoria financeira.

Escolha feita com cuidado

Cautelosas por natureza, as mulheres preferem investigar bastante antes de optar pela instituição onde vão aplicar sua renda. Para a maioria das entrevistadas, a solidez é o principal critério para a escolha do banco (34%). Também são importantes a qualidade do atendimento (29%) e a comodidade (27%). Para isso, antes de dar o primeiro passo, elas buscam informações na internet, que também passou a ser a ferramenta de 46% delas para acompanhar o retorno de suas aplicações e de 75% para conhecer as novidades no setor.

Na hora de escolher o que fazer com o dinheiro, a maioria delas (73%) ainda opta pela poupança, pois se define como conservadora (53%). No entanto, mulheres mais novas, entre 25 a 30 anos, se consideram moderadas. “As mulheres são conservadoras ou ousadas financeiramente conforme sua formação e personalidade. O que ocorre é que no mercado financeiro e na própria bolsa de valores o número de mulheres ainda é pequeno. Esse perfil é apenas temporário, pois a participação das mulheres nesses mercados deverá crescer com o passar do tempo”, opina Evaldo Alves, professor da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas, em São Paulo.

Mais independência

De acordo com Valéria Meirelles, até pouco tempo atrás, mesmo as mulheres mais bem-sucedidas passavam o dinheiro aos maridos para que eles mesmos fizessem as aplicações. “A negociação sempre foi uma etapa mais difícil para as mulheres. Hoje, elas vão atrás de informações, fazem mais cursos de educação financeira e buscam seus próprios investimentos”, diz.

O resultado disso é que os homens, atualmente, quase não têm participação nesse tipo de decisão. Segundo a pesquisa da Sophia Mind, 53% das casadas conversam e decidem junto com o marido onde aplicar os recursos e 64% das solteiras decidem sozinhas. Apenas 13% das casadas deixam que o marido, sozinho, tome a decisão. “O segredo do sucesso das mulheres enquanto investidoras decorre da coleta de informações e de ouvir opiniões de terceiros para formar o conceito acerca de qual perfil de investimento é o mais adequado”, afirma o professor Evaldo Alves.

Segurança no futuro

Em geral, de acordo com a pesquisa da Sophia Mind, as mulheres mantêm o mesmo perfil de investimento por anos a fio, mas mudam diante de algum acontecimento importante, como o nascimento de um filho. Quando isso ocorre, elas precisam reorganizar o orçamento doméstico e acabam buscando investimentos de menor risco ou até mesmo deixando de poupar. A forma de investir também não obedece a um padrão: muitas mulheres investem eventualmente, sem criar uma rotina para isso – sejam elas de baixa ou de alta escolaridade.

Ao contrário dos homens, as mulheres investidoras não gostam muito de pensar a longo prazo. Mais imediatistas, elas preferem poupar para algo a ser feito em breve, como a compra ou a reforma de imóveis (41%), em vez de aplicar o dinheiro para objetivos que demandam tempo, como a formação profissional ou a criação dos filhos. “No curto prazo, fica-se ao sabor das flutuações da conjuntura econômica. Nesse contexto, acaba-se buscando investimentos mais seguros, que por outro lado têm uma rentabilidade menor”, observa o professor Evaldo.

De qualquer forma, o fato de estarem cada vez mais envolvidas com questões financeiras mostra um grande progresso no mundo feminino. Embora a maioria das mulheres ainda se comporte de forma conservadora, começam a surgir mulheres mais ousadas, que fazem fortunas na Bolsa de Valores. Para que outras comecem a trilhar o caminho dos riscos financeiros maiores, será uma questão de tempo.

“É mais uma conquista que vai sendo alcançada no decorrer dos anos. Primeiro, as mulheres precisaram alcançar o domínio da sexualidade, com o controle do próprio corpo e da natalidade; depois, ultrapassaram a barreira masculina no mercado de trabalho, tornando-se profissionais respeitadas; agora é a fase do domínio do dinheiro. Enfim, elas estão chegando ao último território inexplorado”, diz a Dra. Valéria.